UNIDADE DE CIRURGIA CARDÍACA E TORÁCICA - Casa de Saúde da Boavista
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 Introdução
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Muitos milhares de doentes são operados ao coração em todo o mundo. A cirurgia cardíaca tornou-se num procedimento que apesar de complexo se tornou uma rotina diária em muitos hospitais.

A informação contida nesta página foi preparada para as pessoas que foram ou vão ser submetidas a cirurgia cardíaca. Pode não ser suficientemente detalhado para explicar todos os detalhes da intervenção, contudo fornece informação geral sobre aquilo que está relacionado com os tipos mais frequentes de cirurgias ao coração.


 Index
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1. Cirurgia Coronária

2. Cirurgia Valvular

3. Anestesia para cirurgia cardíaca

4. Como decorre o internamento na CS Boavista

5. Regressar a casa e planear o futuro




 Cirurgia Coronária
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A cirurgia de revascularização do miocárdio é também vulgarmente conhecida por cirurgia coronária ou cirurgia de bypass coronário.

O QUE É A DOENÇA CORONÁRIA?
A doença coronária afecta as artéria coronárias na superfície do coração. Estas artérias transportam sangue (com oxigénio e nutrientes) para o músculo cardíaco.
A idade e outros factores, muitos dos quais complexos, provocam o endurecimento destes vasos habitualmente elásticos. Gordura, colesterol e sais minerais constituem aquilo que se designa por placa ateromatosa. A placa ateromatosa pode provocar restrição e resistência à passagem do sangue. A placa ateromatosa pode também endurecer a parede do vaso. A resistência provocada estimula a formação de coágulos que crescem lentamente diminuindo ainda mais o lúmen do vaso. Pode também crescer subitamente e obstruir totalmente o vaso.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DA DOENÇA CORONÁRIA?
Artérias coronárias estenosadas significam que a quantidade de sangue que atinge o músculo cardíaco está diminuído. Cansaço e aperto no peito conhecido como angina do peito, são habitualmente sinais deste problema. Actividade física e emoções fortes também podem provocar esta sintomatologia. Os sintomas são, normalmente, aliviados pelo repouso.
A falta de aporte de sangue ao coração pode provocar um enfarte do miocárdio que corresponde á morte de uma parte do tecido muscular do coração.

O QUE É A CIRURGIA CORONÁRIA?
A cirurgia de revascularização do miocárdio é uma operação ao coração em que são utilizadas artérias e veias de outras partes do corpo para abrir o canal necessário ao restabelecimento do fluxo sanguíneo da coronária doente. A remoção destas artérias ou veias, do braço ou da perna, não implica alteração da irrigação sanguínea na área onde foram removidas.
Tipicamente as artérias utilizadas são removidas dentro do peito por trás do osso esterno (artéria mamária interna), ou do antebraço (artéria radial). A veia habitualmente utilizada é a do interior da perna (veia safena).
Durante a cirurgia estas artérias e veias são ligadas directamente às artérias coronárias na superfície do coração abaixo do local do aperto. Desta forma é restabelecida o fluxo do sangue às zonas onde não estavam a ser irrigadas.
A cirurgia de revascularização do miocárdio pode ser realizada com o apoio de uma máquina coração-pulmão, esta máquina torna possível parar o batimento do coração, permitindo desta forma uma ligação precisa dos novos vasos à artéria coronária. Algumas cirurgias podem ser feitas sem recorrer a esta máquina, sendo a cirurgia efectuada com a imobilização de apenas um pequeno segmento do coração. O seu cirurgião discutirá consigo qual a melhor técnica a usar para o seu caso particular.

QUAL É O RESULTADO DA CIRURGIA CORONÁRIA?
O objectivo final da cirurgia de revascularização do miocárdio é aumentar o fluxo sanguíneo ao coração. O maior fluxo de sangue deverá eliminar a dor do peito (angina) que aparece com o esforço, diminuir o cansaço e readquirir uma sensação de estar bem. Outros benefícios incluem a diminuição da probabilidade de um enfarte do miocárdio, da probabilidade de morte súbita e aumento da esperança de vida em pessoas com doença coronária severa.





 Cirurgia Valvular
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O QUE É A DOENÇA VALVULAR CARDÍACA?
O coração é composto por quatro câmaras, ou cavidades, designadas por aurículas e ventrículos. Entre essas cavidades, existem válvulas (portas) que se abrem e fecham para deixar o sangue circular pelo coração. Duas dessas válvulas, a mitral e a aórtica, são frequentemente afectadas por doenças que as tornam demasiado apertadas (estenose) ou demasiado laxas (insuficiência ou regurgitação).

A válvula mitral encontra-se entre a aurícula esquerda e o ventrículo esquerdo. Esta válvula é constituída por duas pequenas portas ou folhetos. Estes folhetos inserem-se de cada lado da válvula e encontram-se no meio. Regurgitação, ou insuficiência mitral, verifica-se quando os folhetos da válvula mitral não se fecham de forma harmoniosa e o sangue volta para trás, para a aurícula, através da válvula. A estenose da válvula mitral acontece quando os folhetos não abrem completamente. A estenose mitral dificulta a saída do sangue da aurícula esquerda e respectiva entrada no ventrículo esquerdo.

A válvula aórtica encontra-se entre o ventrículo esquerdo e a aorta e é constituída por três folhetos. A aorta é o grande vaso sanguíneo que transporta o sangue do coração para o resto do corpo. Do mesmo modo que a válvula mitral, esta válvula pode ser afectada por estenose ou insuficiência.

QUAIS OS EFEITOS DA DOENÇA VALVULAR?
O mau funcionamento de qualquer uma destas válvulas, se suficientemente grave, poderá provocar sintomas como cansaço fácil, falta de ar, síncopes ou desmaios e dor torácica. Mesmo sem causar sintomas, o mau funcionamento das válvulas pode provocar lesões no músculo cardíaco que se podem tornar irrecuperáveis. Se não tratadas as doenças valvulares levam a dilatação cardíaca e insuficiência cardíaca. Algumas formas de doença valvular causam morte súbita.

O QUE É A CIRURGIA VALVULAR?
A substituição da válvula mitral ou aórtica por uma prótese ocorre quando a válvula nativa (a válvula do doente) não funciona bem por estar insuficiente, estenótica (apertada) ou ambos.

A substituição da válvula mitral é uma cirurgia que consiste na implantação de uma nova válvula mitral no coração. Durante a cirurgia, parte ou toda a válvula mitral é retirada e substituída por uma válvula de origem animal, humana ou artificial. Em alguns casos é possível reparar a válvula mitral e a este procedimento chama-se plastia mitral. A plastia é uma óptima solução quando possível. O seu cirurgião discutirá consigo a melhor opção para o seu caso.

A substituição da válvula aórtica é uma cirurgia que consiste na implantação de uma nova válvula aórtica no coração. Durante a cirurgia, toda a válvula aórtica é retirada e substituída por uma válvula de origem humana, animal ou artificial.

QUAL É O RESULTADO DA CIRURGIA?
O objectivo final da cirurgia de substituição ou reparação valvular é tornar a válvula doente o mais semelhante possível com uma válvula normal. Depois de tratada a válvula deverá ser suficientemente larga para o sangue passar sem esforço e não permitir fuga do sangue para trás. Os sintomas devem regredir parcial ou totalmente e o coração poderá recuperar a sua forma. Outros benefícios incluem a diminuição do cansaço, a restauração da sensação de bem estar e o aumento da esperança de vida em pessoas com doença cardíaca severa.




 Anestesia para cirurgia cardíaca
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O QUE É A ANESTESIA?
A anestesia permite ao cirurgião operar sem que o doente tenha qualquer sensação consciente desagradável dos acontecimentos a que vai ser submetido no bloco operatório. Para isso o médico anestesista administra fármacos que fazem com que o doente permaneça inconsciente, imóvel e sem dor durante toda a cirurgia.
A partir do momento em que o doente é proposto para cirurgia, o anestesista vai programar a anestesia de acordo com cada doente em particular. Faz parte deste planeamento além da avaliação clínica, uma conversa com o seu doente numa visita pré-anestésica, onde o anestesista avalia o risco e discute com ele o plano peri-operatório nomeadamente explicando todos os passos a que vai ser submetido desde o primeiro minuto de chegada ao bloco operatório até ao pós-operatório imediato nos cuidados intensivos.

O QUE É QUE ACONTECE NO BLOCO?
Quando o doente chega ao bloco operatório o médico anestesista e um enfermeiro de anestesia procedem á avaliação da sua actividade cardíaca, tensão arterial e da quantidade de oxigénio no sangue, através de sensores próprios, que irão ser registados num monitor. De seguida, o anestesista coloca um catéter numa veia central (por regra a veia jugular interna que se localiza na região lateral do pescoço) e na artéria radial (localizada na face anterior do antebraço). Estes procedimentos são em geral feitos sob anestesia local, com o doente acordado ou com uma ligeira sedação, de forma a que se sinta confortável e não tenha dor. Depois de verificadas todas as condições anteriores, o anestesista procede à administração dos medicamentos endovenosos que vão adormecer o doente (indução de um sono profundo com inconsciência), dos fármacos analgésicos (que retiram a dor) e outros que fazem com que o doente permaneça imóvel durante a cirurgia. Depois do doente se encontrar estabilizado, o cirurgião pode iniciar a cirurgia.
Durante a cirurgia, o anestesista verifica continuamente os sinais vitais do doente e continua a dar doses adequadas de fármacos endovenosos para manter o doente a dormir, sem dor e estável.

COMO É QUE EU VOU ACORDAR?
O doente não vai acordar durante a cirurgia e no final da cirurgia, quando acordar, não vai ter dor. Por isso o despertar da anestesia só acontece no final da cirurgia, ou seja, no momento em que o anestesista dá ao doente fármacos que vão reverter os efeitos da anestesia. O doente vai recuperar a consciência duma forma tranquila e sem dor. Já se consegue mexer, respirar sem dificuldade e responder a pequenos comandos. Assim o doente acorda no bloco operatório e será de imediato transportado para a unidade de cuidados intensivos onde vai permanecer nas horas seguintes. Assegurar que o doente não tenha dor, dificuldade respiratória ou qualquer desconforto, é prioridade do médico anestesista desde o primeiro momento e o grande objectivo será sempre fazer com que o seu doente recupere duma forma confortável e possa voltar rapidamente para sua casa!


 Como decorre o internamento na CSB
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É natural que sinta ansiedade uma vez que a decisão da operação é feita. Estas preocupações podem ser reduzidas uma vez que perceba a necessidade da operação, se encontre com a equipa cirúrgica e anestésica, e tenha as suas questões respondidas.

COMO SE PROCESSA O INTERNAMENTO?
Habitualmente é internado no dia ou na véspera da cirurgia.

QUEM VIRÁ VISITAR-ME ANTES DA OPERAÇÃO?
A equipa cirúrgica e anestésica irá examiná-lo e discutirá os detalhes da operação. A equipa de enfermagem colherá sangue e colocará cateteres e explicará as técnicas de respiração para o pós-operatório.
Será também dita a hora exacta da cirurgia.

O QUE PRECISO PARA ESTAR PREPARADO?
Antes da operação, parte do seu corpo será rapado, sobretudo no peito e na perna. Será pedido para tomar um banho com solução antiséptica para remover as bactérias da pele. Isto permitirá reduzir o risco de infecções.
Deverá retirar todos os pertences pessoais como óculos, lentes de contacto, dentaduras, relógios, jóias e dinheiro e entregar aos seus familiares para serem guardados de forma segura.
Deve trazer sempre toda medicação habitual e mostrar aos médicos, assim como informar histórias de alergias e operações prévias.
Auxiliares irão levá-lo numa maca para o bloco operatório onde será recebido pela Anestesista que dará medicamentos para adormecer e não sentir dor na cirurgia.

QUANTO TEMPO DEMORA A OPERAÇÃO?
A cirurgia dura habitualmente entre duas a cinco horas. A sua duração depende do que for necessário fazer. Cada operação varia em complexidade, pelo que a duração da mesma apenas pode ser estimada. O seu cirurgião dará uma previsão mais aproximada da duração da operação e combinará encontrar-se com os familiares no fim da cirurgia.


PARA ONDE VÃO OS DOENTES APÓS A OPERAÇÃO?
Os doentes são levados à Unidade de Cuidados Intensivos após sua operação. Ali irão recuperar a sua consciência após recuperarem da anestesia.

Quando é que a família o pode visitar?
Habitualmente a família poderá fazer individualmente uma visita rápida logo após a chegada na unidade de cuidados intensivos. Não se aconselha a visita de crianças nesta fase.

HAVERÁ DOR?
Haverá certamente algum desconforto na ferida realizada para abordar o coração (habitualmente no meio do peito). Poderá haver uma ou mais incisões na perna ou no antebraço, caso sejam utilizadas veias ou artéria radial. Estas incisões também podem magoar um pouco. Haverá obviamente medicação adequada para alívio das dores.

QUE TUBOS OU FIOS ESTARAM LIGADOS AO CORPO?
Tubos e fios estão ligados no corpo. Eles permitem uma recuperação rápida e segura da cirurgia. Estarão colocados nos braços e no pescoço cateteres, que são habitualmente uns tubos pequenos. Estes pequenos tubos são utilizados para administração de medicamentos e líquidos, assim como monitorização das pressões. Um ou mais drenos são colocados no peito para drenagem de sangue e ar que habitualmente acumulam no pós-operatório. Eléctrodos no peito permitem monitorização do ECG, para visualização do ritmo e frequência do coração. Uns fios de arame pequenos colocados na base do peito poderão servir de pacemaker se for necessário.
Um tubo de respiração (tubo oro-traqueal) poderá ser deixado na boca para permitir ajudar a respiração com o ventilador. O tubo não provoca dor mas impedirá de falar. Será retirado no fim da operação assim que esteja assegurado que pode respirar sozinho.

HAVERÁ ASPECTOS PARTICULARES NUMA UNIDADE INTENSIVA?
É difícil ter noção do tempo num local onde há luz 24 horas por dia e onde existe actividade contínua. Tal situação pode provocar perturbações e ficar ligeiramente desorientado e confuso.
Os medicamentos administrados para o controle da dor podem agravar a confusão. Esta confusão é temporária, e se vier a acontecer, não é importante. Passará após saída da unidade de cuidados intensivos ao fim de 1-2 dias. Assim que comece a poder dormir normalmente e comece andar, tudo voltará ao normal.

A FEBRE É HABITUAL?
É comum haver febre no pós-operatório e algumas vezes pode provocar muito suor durante a noite e por vezes também durante o dia. Existe medicação adequada para resolver este problema que habitualmente passa ao fim de 2-3 dias.

O QUE PODE SER FEITO PARA AJUDAR A RECUPERAÇÃO?
Os exercícios de respiração profunda e tosse são meios importantes para ajudar a uma recuperação rápida e eficaz. A tosse reduz a possibilidade de infecção pulmonar e não prejudica a ferida operatória nem os bypasses ou a válvula. Alguns doentes têm medo injustificado em tossir após uma operação. Portanto, tosse eficaz é essencial. Habitualmente é mais fácil, e menos doloroso, tossir abraçado a uma almofada.
Vai-lhe ser dado um inspirómetro que é um pequeno aparelho para o incentivar a inspirar profundamente. Durante o dia deve usa-lo durante 3 a 5 minutos todas as horas para permitir a expansão completa dos pulmões e melhorar a oxigenação.
Pode também ajudar a sua recuperação passando a maior quantidade de tempo possível sentado ou em pé e virando sua posição na cama várias vezes ao dia.

QUANDO POSSO COMER E BEBER?
Uma vez sem o tubo oro-traqueal, será possível beber alguns líquidos. A rapidez com que se progride de líquidos a uma dieta regular, depende da evolução de cada um.

QUANDO PODEREI SAIR DA CAMA?
Os doentes saiem da cama e sentam-se num cadeirão assim que podem, o que acontece habitualmente no dia seguinte ao da operação. Posteriormente após alta da unidade de cuidados intensivos, poderão dar pequenos passeios na enfermaria. Habitualmente os doentes ficam internados na Unidade de Cuidados Intensivos por 1 a 2 dias.

COMO É QUE POSSO TOMAR BANHO?
Numa fase inicial o banho é dado pela enfermagem. Posteriormente consoante a evolução será possível tomar banho pelo chuveiro.

QUAL A MELHOR POSIÇÃO PARA DORMIR?
É sempre aconselhável deitar-se de lado e variar de posição. Permanecer deitado de costas por longos períodos não favorece a respiração.


SERÁ MUITO DOLOROSO?
A maioria dos doentes queixa-se sobretudo de mal-estar na ferida operatória e não de dor insuportável. Este mal-estar está relacionado com a incisão cirúrgica e espasmos musculares. Mexer frequentemente os braços e os ombros pode aliviar as queixas. Se a dor for intensa, a enfermagem pode administrar medicação se o pedir. Habitualmente a dor começa a aliviar ao fim de 2-3 dias.

E A CICATRIZAÇÃO?
Logo após a operação a ferida operatória do peito, vai cicatrizando e ficando seca. Após alguns dias, pode ser lavada com água e sabão.
O número e extensão da ferida da perna ou do braço varia, de acordo com o número de bypass efectuados. Alguns doentes têm um incisão na perna, outros no braço e outros em ambos os locais. Tal como no peito, após alguns dias, a ferida deve ser lavada com água e sabão.
Pode ter uma sensação de queimadura na cicatriz que é normal. Andar melhora a circulação do sangue na perna assim como permite ajudar a recuperação do coração.
Os drenos habitualmente são removidos no 2º dia após operação. Os fios de pacemaker são retirados ou seccionados no dia que antecede a alta.
Os agrafos e pontos na pele são removidos 10-12 dias após a operação, habitualmente metade deles num dia e os restantes no dia seguinte, de acordo com a cicatrização da ferida.
Estas feridas habitualmente precisam de 6 semanas para cicatrizarem definitivamente. Deve evitar carregar objectos pesados neste período. A cor da cicatriz irá varia gradualmente de roxo a vermelho-rosa. Ao fim de alguns meses terá a cor normal da pele.

QUANTO TEMPO DEMORA O INTERNAMENTO?
O internamento habitual após uma cirurgia é de 5 a 7 dias. Neste período e nos dias seguintes, a maioria dos doentes terá uns dias melhores e outros piores, mas com progressiva recuperação da força e capacidade de desempenhar tarefas.





 Regresso a casa e planear o futuro
PODE A ALTA PROVOCAR ANSIEDADE?
Não é de modo algum inusitado sentir-se preocupado com a alta hospitalar. Muitas vezes esta sensação é provocada pelo receio de abandonar a segurança do hospital, do seu apoio médico e técnico. A casa, por comparação, parece incerta. Contudo, lembre-se que a nenhum doente é permitido ir para a casa enquanto o médico achar que ele não está em condições de continuar a sua recuperação no domicílio.

COMO SERÁ A ALIMENTAÇÃO?
O médico, a dietista ou a enfermagem explicará como deverá modificar o seu estilo de alimentação. Deve tentar reduzir os factores de risco, tal como redução da ingestão de gorduras saturadas, colesterol e sal na dieta. É importante diminuir o peso e não engordar. Moderação e bom senso são habitualmente os melhores guias para a alimentação. Pode ingerir álcool em pequenas quantidades. Meio copo de vinho às refeições ajuda.

E O COLESTEROL?
Manter o colesterol em níveis normais é fundamental para redução do risco coronário. Esta redução deve ser feita quer com a dieta quer com a medicação prescrita.

E O TABACO?
O tabaco é a principal causa de doenças cardiovasculares assim como de cancro de pulmão. Fumar prejudica o coração assim como todo o corpo. É o maior factor de risco isolado de nova doença cardíaca após cirurgia. Se fuma, deve deixar imediatamente. Se não fuma, não há nenhuma razão para começar a fazê-lo.

Como me sinto depois ao regressar a casa?
Fraqueza é uma sensação comum após o regresso. Um jovem estudante que fique uma semana acamado perde 15% da sua capacidade muscular. Portanto, não é nenhuma surpresa, que após uma semana de internamento hospitalar, se sinta fraco ao regressar à rotina da casa.

Outro factor a ter em conta, é a da cicatrização das feridas que consome grande quantidade de energia. Isto também provoca sensação de fraqueza que vai melhorando após 3 a 4 semanas da cirurgia.
O exercício físico é uma boa maneira de recuperar forças. Caminhar é especialmente útil na recuperação da cirurgia de coronária. O caminhar deve ser progressivamente aumentado em tempo e em distância ao longo do tempo, mas sem se esforçar. Caminhar não é fazer uma corrida de 100 metros ou fazer uma maratona todos os dias!
A depressão acontece com alguma frequência no regresso imediato. A progressão da recuperação não parece ser tão rápida quanto a desejada e por vezes até parece que está a piorar. Não esquecer que a recuperação é lenta mas sustentada e que Roma e Pavia não foram feitas num dia.

QUE MEDICAÇÃO DEVO TOMAR?
Deve tomar apenas a medicação prescrita pelo médico. Não tome os medicamentos que fazia antes da operação ao não ser que seja especificamente indicada pelo médico. Qualquer dúvida deve ser esclarecida com o seu médico. Não hesite em contacta-lo.

QUANDO DEVO CONTACTAR O MÉDICO?
Deve entrar em contacto com o médico se tiver algum sinal de infecção (vermelhidão ou drenagem na ferida), febre, arrepios, agravamento do cansaço, aumento de peso (mais de 2 Kg em 2-3 dias seguidos), mudança no ritmo do coração, ou em qualquer situação que provoque dúvidas.

QUANDO DEVO REGRESSAR AO TRABALHO?
Para trabalhadores sedentários, média de 4-6 semanas. Para pessoas que fazem trabalho físico pesado, poderá ser maior.

QUAL DEVERÁ SER A ROTINA DIÁRIA EM CASA?
Os doentes devem seguir estes princípios gerais:
1. Levantar-se na hora normal.
2. Tomar banho diário.
3. Vestir-se adequadamente (Não andar de pijama o dia inteiro!)
4. Descansar periodicamente ao meio da manhã e ao meio da tarde ou após períodos de actividade

Descansar após alguma actividade física é útil. Após o passeio matinal pelo seu quarteirão, deve fazer uma pequena sesta ao chegar à casa. Lembre-se que a capacidade de fazer mais e melhor vem com o tempo e caminhar é a melhor e mais saudável actividade física.
Não deve ter nenhum problema em realizar actividades ligeiras da lide doméstica, ir ao teatro, restaurantes, loja ou à igreja; assim como ir visitar amigos e familiares ou subir escadas. Habitualmente ao fim de 3-4 semanas já é capaz de caminhar alguns quilómetros em terreno plano.
Caso o tempo esteja muito frio ou quente, deve tentar passear dentro de algum centro comercial com climatização. Temperaturas extremas forçam o corpo a gastar mais energia e a trabalhar mais arduamente para as actividades do costume. Não é inteligente obrigar o seu corpo caminhar grandes distâncias com muito calor ou com muito frio.

RELAÇÕES SEXUAIS?
Os doentes podem reiniciar suas actividades sexuais assim que entenderem. Caso tenha mais alguma questão, não hesite em colocá-la ao seu médico.

EXISTE ALGUMA RESTRIÇÃO A CONDUZIR?
Deve começar a conduzir assim que sinta em condições. Habitualmente o melhor é esperar 3-4 semanas após a alta.

QUANDO SERÁ A CONSULTA?
Habitualmente duas consultas são marcadas para 1 e 4 semanas após a alta hospitalar.

QUE MUDANÇAS FAZER NA MINHA VIDA?
A cirurgia de revascularização do miocárdio é realizada com o objectivo de restabelecer uma vida activa.
Algumas pessoas encaram a possibilidade de mudança de estilo de vida e dos seus hábitos. Apenas eles podem tomar esta decisão. Faz sentido reduzir os factores de risco de doença coronária e enfarte deixando de fumar, controlando a tensão arterial, dieta com poucas gorduras e sal, manter actividade física assim como perder peso.

O QUE POSSO ESPERAR PARA O FUTURO?
Assim que processa a recuperação, será mais fácil perceber a utilidade da cirurgia. O aumento do fluxo sanguíneo pelas suas artérias coronárias irá significar menos crises anginosas ou deixar de ter angina, assim como aumento da capacidade da actividade física. A resolução dos problemas com as válvulas permite-lhe uma melhor qualidade de vida com menos restrição das suas actividades. O objectivo da cirurgia cardíaca é em resumo melhor vida e mais vida.






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